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Segunda-feira, Janeiro 18, 2010
Meia noite
Na minha visão, nunca tive nada a perder. Acho que isso me faz ser um pouco diferente das demais pessoas. O sentimento de perda é o que mais assombra a humanidade. Os mendigos não tem nada a perder, os caras que assaltam os bancos e até mesmo os ladrões de galinha. Nada é seu. Ninguém é de ninguém. Tudo é transitório. Os carros param, o tempo passa, o sol se põem. As pessoas hoje choram e amanhã se amam. O mundo é perverso. Não acredite na sua sombra, não acredite no futuro. Inventaram o amor, inventaram a guerra, inventaram o beijo, inventaram o xingamento. Tudo pode ser distorcido. Tudo pode ser mudado. Se eu estou chorando de raiva é porque o telefone não tocou. E a lua também não apareceu pra saudar a solidão da meia noite. Esperamos mudanças. Os corações pulsam. O ódio prevalece e a esperança continua sem cessar. Estamos no verão. O calor queima meus olhos. Minha boca quer saliva. A noite está me amedrontando. São meia noite. A metade de uma noite que escureceu sem piedade. Amanhã é um novo dia. O sol vai lutar contra o meu sono e eu vou estar cada vez mais forte. Não temos tempo a perder.
.: posted by Daniel Velloso
12:34 AM
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Domingo, Dezembro 27, 2009
Eu sem ti
As pessoas comemoram um novo ano. Em mim, nada de novo. A esperança de sempre, os problemas de sempre, e continuo achando que nada é pra sempre. Nem as pessoas, nem os prédios, muito menos a vida lá fora. O que nos resta é festejar o fim do mundo sambando sobre os destroços. Derramar uma lágrima porque faz parte dos ingredientes. Sou sol, sou sal, sou calor, sou paixão. O coração pulsa depressa sempre quando corro, parece que vai sair pela boca, parece que o beijo marca no lábio quando te vê. Os olhos turvam, as pernas tremem, o dia amanhece mais bonito, as pessoas sorriem pra você na rua. Não vou negar que penso em você antes de sair de casa pra trabalhar e que faço o sinal da cruz pensando em você. Que não consigo me concentrar quando estou com os meus amigos, porque estou imaginando a gente de mãos dadas vendo o pôr do sol. Não importa se você me ama ou não. O amor a gente pode inventar. A gente pode renovar com sexo/música/frio, podemos brincar de amar, podemos andar pelas calçadas vazias e sentir que a alma está pesando uma tonelada pelo peso de amar. O fardo parece até mais pesado, porque apesar de tudo, você não pensa em mim da forma que eu penso. Você não me imagina da forma como eu te imagino. Tudo isso é uma piada que não tem graça. Deus não abençoa esse amor. O Diabo comemora. Não podemos ficar juntos. Nos esbarramos de vez em quando em eclipse, mas nada além de meias palavras. Tudo bem que eu queria morar no teu abraço e dormir no seu colo, porque a minha cama parece até mais desconfortável porque eu só penso em você e nesse pequeno grande amor que parece maior que o prédio que contruiram aqui perto de casa. Só que tudo tende a desmoronar numa fração de segundos. Não importa se o seu olho é da cor do céu, se seus pêlos são da cor do sol e sua boca um delicioso misto de veneno e monotonia. O que realmente importa é que hoje eu acordei timidamente com vontade de dizer que você é mais importante que a política, que a música que eu escuto quando tô deprê, que a minha mãe e os meus cds e o meu dicionário. Principalmente o meu dicionário, porque só você tem as palavras certas nos momentos incertos. Enquanto eu não posso ter você pela eternidade, vejo que o tempo passa devagar e as ruas estão mais vazias. Eu me sinto vazio. Você não sente a minha falta. Mas eu sem ti.
.: posted by Daniel Velloso
7:56 AM
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Sexta-feira, Outubro 30, 2009
Querô
Quero uma pobre mal-amada, que não liga pra nada, só pro amor. Quero uma casa bem apertada, sem jardim e sem sacada, pra sentir o seu calor.
.: posted by Daniel Velloso
1:01 AM
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Terça-feira, Outubro 13, 2009
Saturação
Quando disseram “assim seja” no meio do tiroteio, as pessoas perderam o medo da morte. Mas eu nem tenho tanta certeza se Deus existe ou não. Se ele ouve tanta gente pedindo milhares de coisas inúteis. Se ele vê que eu me masturbo pensando nas coxas verdes daquela menina. Eu acho mesmo que ele não tá nem ai. “O homem é o lobo do homem” e o inferno são os outros. Fácil culpar os demônios. Mas é tão difícil perceber que somos eles próprios. Só não temos rabo e chifres. Mas os desenhos são muito mentirosos. Até parece que o Tom realmente odeia o Jerry e o Pica-pau sempre se dá bem. Todo mundo quer aparecer de alguma maneira hoje em dia. Mas ninguém aparece da maneira certa. Não estou aqui pra julgar o que é certo e o que é errado. Acho que isso é errado. Estou é farto de julgamentos. Deixe o homem ter marido, deixa a mulher ter esposa. O mundo é louco. As pessoas não estão sorrindo mais de alegria. Estão se alegrando com as tristezas dos outros. Aquele tapinha nas costas dizendo “você consegue” – é mais parecido com um escarro de desprezo. Eu acredito muito mais no pessimismo. E me sinto bem assim, porque me frustro menos. Odeio muito positivismo. Tenho vontade de vomitar. Ser feliz não é nada mais que utópico. Ser triste nunca foi tão fácil. E achar um meio termo nunca foi tão decisivo. Eu não tenho muitas escolhas.
.: posted by Daniel Velloso
10:27 PM
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Quinta-feira, Outubro 08, 2009
Faz sentido?
O dia que eu disser que vi Jesus na minha frente, vão dizer que eu sou esquizofrênico.
.: posted by Daniel Velloso
4:49 PM
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Sexta-feira, Setembro 25, 2009
Tiro no escuro
Queria desabafar os meus desafetos com qualquer pessoa que encontrar no meio do holocausto urbano. Mas as pessoas olham pra mim com cara de desconfiado. E tudo é tão podre e pífio que os padres resolveram caçar os próprios demônios. Os pedófios resolveram se castrar e eu resolvi me abster de falar mal do lateral esquerdo do meu time. Estou de mãos atadas como o coração em convulsão. Ninguém acredita mais em mim, nem no mar, nem no semáforo, nem nas estrelas. O verde que eu vejo é tão singular. As páginas do meu caderno estão em branco assim como os meus lábios. Não tem nada que eu possa fazer. O jeito é esperar o fim do mundo ou o próximo big ben. E se as mudanças não ocorrerem, a gente se encontra no fogo e na escuridão da enferneira glacial onde os corações mais severos habitam.
.: posted by Daniel Velloso
10:01 AM
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Quinta-feira, Setembro 24, 2009
Objeto direto
Eu acho que nunca amei ninguém. Mas o fato de nunca amar, não quer dizer que eu tenha ódio do mundo. Talvez tenha encontrado o amor por aí, mas eu vivo distraído. E cada vez mais distante do amor. Às vezes vegeto, curto o som do silêncio, termino uma cartela de chicletes que me fazem passar o tempo e esquecer que a minha vida é tão transitiva. Já tentei amar meus amigos, aquela poesia do Fernando Pessoa ou até mesmo quando a lua aparece. Mas tudo é tão fugaz e inconstante. Limpo meu corpo com lágrimas e minha alma com palavras óbvias. Um “eu te amo” dito por alguém não significa que você vai ficar comigo pra sempre. Porque as coisas cansam se não forem devidamente esclarecidas. Quanto mais a gente cresce parece que menos ama. Porque o modo de viver vai se dissolvendo dando lugar ao medo da morte. Todo mundo já "morreu de amor" quando era mais jovem. Porque o coração dispara, a barriga gela, e até mesmo as notícias de jornais não têm mais graça. Os cabelos brancos vêm e dão lugar ao conforto de se tolerar. Não acho que as pessoas se amam. Mas afinal, o que é o amor? As pessoas falam de Deus, Jesus, santos, duendes. E até dizem que o amor é como o ar. Eu não vejo o ar assim como não vejo o amor. Mas assim como não vivo sem ar, consigo viver ser amor sim. Vivo sem esse amor propagado no beijo da novela, nos recados do Orkut, nos outdoors. Nas pessoas que necessitam ser amadas. Eu acho sinceramente que somos objetos que precisam ser cuidados com carinho para não serem jogados no lixo sem que um dia tenham tido utilidades. Porque o amor nos torna tolos. O amor não precisa ser preposicionado. Eu não preciso DE você. Eu cultivo um sentimento que eu não sei o nome. Mas é tudo menos amor. Não acredito que vivemos pelo amor. As pessoas estão perdidas. Eu acho que se realmente o amor existisse, não existiria guerra. Se o amor existisse não haveria depressão, câncer, AIDS e infarto. Será que você realmente ama? Porque eu acho que quem inventou essa palavra estava em outro planeta. Esse é mais um texto de um cara que tentou falar de uma coisa que desconhece. É como ter saudades de uma coisa que nunca se viveu. É como saber o final do filme por alguém e perder totalmente a graça. E assim eu me sinto como um cara que tentou voar mais não tinha asas. Apesar de tudo, quando eu me cresço me refaço, procuro viver em paz. Estamos na eterna busca de saber o que é amor. Porque se pra você ele começou e te fez sorrir, pra outros ele acabou e faz chorar. Se amor é tão bom assim, porque faz chorar? Eu prefiro dizer que não faço guerra e nem faço amor. Eu faço a diferença.
.: posted by Daniel Velloso
6:35 PM
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Quinta-feira, Setembro 10, 2009
Mantra
Ouvi alguém com uma voz melodiosa falando meu nome. Quando olhei pra trás, vi que era uma pessoa que eu nunca havia trocado uma só palavra. Mas ela sabia meu nome. Talvez soubesse de mim até mais do que eu possa imaginar. Ela perguntou o nome do professor de literatura africana. Não, não, eu não tenho aula de literatura africana. Acho que ficou um vazio entre nós dois. Ela disse “obrigada” mesmo eu não sabendo responder a pergunta feita. As pessoas são estranhas comigo. Elas me agradecem demais. Eu sempre digo que elas não precisam agradecer. Apenas quero ver os seus olhos vivos e seus sorrisos sinceros. Incrível como dizer que saudade é algo natural de se sentir, mas não tão natural assim de se viver com ela 24 horas do seu dia. Ainda lembro de ontem à noite. Consegui lembrar o cheiro, pele, boca e cabelos. Também lembro o cheiro do ar que me fez entrar em uma espécie de transe. As coisas em minha volta não faziam sentido algum. A luz que piscava era a luz de dentro da sua retina. Falamos de Deus, futebol, música e tédio. Mas não falamos do tempo. Nem me importou se estivesse frio ou calor, ou se estivesse chovendo. O assunto era algo infindável e não tão peculiar. O único tempo que me preocupava era o tempo que o relógio insistia em clamar por silêncio. Tinha até um cara tocando guitarra e dizendo que as pessoas deviam se amar mais. Estava tão atônito com as coincidências de uma conversa sem futuro que só no final prestei atenção que aquele homem estava tocando legião. É, como se não houvesse amanhã. O amanhã só me trouxe mais saudade. Mas eu gravei o seu nome e disse que a veria em breve. Enquanto nada disso acontece, eu consegui compor uma música que fala um pouco das aproximadamente 1h, 20 min e 30 segundos que ficamos conversando:
“Os meus olhos ardem como fogo
Enquanto tua boca se umidece
Pare logo com esse jogo
Atenda logo minha prece
Assim seja, amém, gloria a Jesus
É assim que se agradece
Tua alma que reluz
É a mesma que apetece...”
Já tentei cortar o cabelo em outro lugar, já tentei ouvir uma música diferente quando estou com a cabeça pra fora da janela do ônibus, já tentei largar meus vícios. Já tentei tirar a melhor nota na prova de filosofia contemporânea.
Mas o que eu não consigo é parar de tentar ser o velho piegas romântico que vê o mundo como um grande amontoado de pessoas que no fundo, mas bem no fundo tentam propagar o amor do jeito mais bizarro possível. Posso até tentar não falar de amor. Posso falar mal dos políticos, posso largar a faculdade, posso resolver em um dia os problemas do mundo. Mas a minha vida será sempre essa linda tarde de verão ensolarada onde o mundo sorri quando tudo se acaba e no outro dia começa tudo de novo. Esse é o meu ciclo. É a minha música. O meu mantra.
.: posted by Daniel Velloso
10:30 PM
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Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Pra cegar os olhos
Eu tenho tatuagens, vivo de boné e bermuda
Ele vê filmes suecos, bebe whisky e tem carro
E ela? Irresistível.
.: posted by Daniel Velloso
10:13 PM
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Segunda-feira, Agosto 31, 2009
Paradoxo
Segundas feiras podem ser felizes, assim como paixões à primeira vista podem ser infelizes.
.: posted by Daniel Velloso
4:15 PM
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